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User Behavior & Insights

Como descobrir problemas que o Google Analytics não mostra

Erick Bertolini

O Google Analytics mostra onde os usuários clicam, saem ou convertem. Mas ele nem sempre explica por que isso acontece. Neste artigo, você vai entender como combinar dados quantitativos, pesquisas CES e testes A/B para descobrir problemas invisíveis na jornada do usuário e melhorar a experiência do seu e-commerce com menos achismo.

Ilustração da Ttoolab mostrando dados de analytics, feedback CES e testes A/B conectados para otimizar a jornada de compra no e-commerce

O Google Analytics é uma ferramenta essencial para entender o desempenho de um site ou e-commerce. Ele mostra quantas pessoas acessaram uma página, quais canais trouxeram tráfego, onde os usuários abandonaram a jornada e quais ações geraram conversão.

Mas existe um limite importante: o Analytics mostra muito bem o que aconteceu, mas nem sempre mostra por que aconteceu.

Você pode descobrir que muitos usuários abandonam o carrinho. Pode ver que uma página de produto tem baixa conversão. Pode identificar que uma etapa do checkout perde tráfego. Mas isso, sozinho, não explica o motivo.

O usuário saiu porque o frete estava caro? Porque não entendeu o prazo? Porque ficou inseguro com a loja? Porque não encontrou a informação que precisava? Porque o botão não parecia clicável?

Esses problemas muitas vezes não aparecem diretamente no Google Analytics.

E é exatamente aí que entram outras formas de análise, como pesquisas CES, feedback contextual e testes A/B.

O Google Analytics mostra comportamento, não intenção

O Analytics trabalha principalmente com dados quantitativos. Ele mostra volumes, taxas, eventos, sessões, páginas, cliques e conversões.

Esses dados ajudam a responder perguntas como:

  • Quantas pessoas acessaram determinada página?
  • Qual canal trouxe mais tráfego?
  • Em qual etapa os usuários abandonaram?
  • Qual produto teve mais visualizações?
  • Qual campanha gerou mais conversão?

Essas respostas são importantes. Mas elas não mostram a percepção do usuário.

Por exemplo: se uma página de produto tem muitas visualizações e poucas compras, o Analytics pode indicar que existe um problema de conversão. Mas ele não vai dizer, sozinho, se o problema está no preço, na descrição, nas fotos, no prazo de entrega, na falta de avaliações ou na confiança da loja.

É por isso que confiar apenas em métricas pode gerar decisões incompletas.

O problema pode estar na experiência, não no tráfego

Muitas equipes tentam resolver problemas de conversão aumentando investimento em mídia, mudando campanhas ou trazendo mais visitantes para o site.

Mas, em alguns casos, o problema não está em trazer mais pessoas. Está em como essas pessoas vivem a experiência depois que chegam.

No e-commerce, pequenos pontos de fricção podem impactar diretamente a decisão de compra:

  • O usuário não entende o valor do frete.
  • O prazo de entrega aparece tarde demais.
  • A página de produto não responde dúvidas básicas.
  • A política de troca não é clara.
  • O checkout parece longo ou confuso.
  • O usuário não sente confiança para finalizar a compra.
  • O botão principal compete com outros elementos da tela.
  • As informações importantes estão escondidas.

Esses problemas nem sempre aparecem de forma óbvia nos relatórios.

Você pode até ver que a conversão caiu. Mas para entender o motivo, precisa combinar dados de comportamento com dados de percepção.

Use CES para entender o esforço do usuário

CES significa Customer Effort Score. É uma métrica usada para medir o esforço percebido pelo usuário ao realizar uma ação.

Em vez de perguntar apenas se a pessoa gostou da experiência, o CES busca entender se aquela tarefa foi fácil ou difícil.

No contexto de um e-commerce, você pode perguntar:

Foi fácil encontrar o produto que você queria?

Ou:

Foi fácil entender as informações deste produto?

Ou ainda:

Foi fácil avançar para a compra?

Essas perguntas ajudam a revelar problemas que o Analytics não consegue mostrar diretamente.

Por exemplo, o Google Analytics pode mostrar que muitos usuários visitam uma página de produto e não compram. Mas uma pesquisa CES pode mostrar que eles não entenderam a diferença entre os modelos, não encontraram informações sobre tamanho ou ficaram inseguros sobre a política de troca.

Esse tipo de resposta transforma uma suspeita em uma hipótese muito mais clara.

Faça perguntas no contexto certo

Um erro comum é usar pesquisas genéricas demais.

Perguntar “Como foi sua experiência?” pode até gerar respostas úteis, mas normalmente não é tão eficiente quanto perguntar algo relacionado ao momento exato da jornada.

A pergunta precisa acompanhar o contexto do usuário.

Na busca, você pode perguntar:

Foi fácil encontrar o produto que você procurava?

Na página de produto:

Foi fácil entender as informações deste produto?

No carrinho:

Foi fácil revisar os itens antes de continuar?

No checkout:

Foi fácil finalizar sua compra?

Depois da compra:

Foi fácil acompanhar o status do seu pedido?

Quanto mais contextual for a pergunta, mais útil será a resposta.

Combine Analytics com feedback qualitativo

O melhor caminho não é escolher entre Google Analytics ou pesquisas com usuários. O ideal é combinar os dois.

O Analytics ajuda a encontrar os pontos críticos da jornada. O feedback ajuda a entender o motivo por trás desses pontos.

Um fluxo simples seria:

  1. Identifique no Analytics uma página ou etapa com baixa conversão.
  2. Analise onde o usuário está abandonando.
  3. Insira uma pergunta CES ou uma pesquisa contextual naquele ponto.
  4. Leia os padrões de resposta.
  5. Transforme os aprendizados em hipóteses.
  6. Teste melhorias com um experimento A/B.

Por exemplo:

O Analytics mostra que muitos usuários abandonam o carrinho.

A pesquisa CES mostra que parte dos usuários achou difícil entender o prazo de entrega.

A hipótese pode ser:

Se mostrarmos o prazo de entrega de forma mais clara antes do checkout, mais usuários continuarão para a compra.

Depois disso, você pode criar um teste A/B para validar se essa mudança realmente melhora a conversão.

Nem todo problema precisa virar redesign

Outro ponto importante: descobrir um problema não significa que você precisa refazer o site inteiro.

Muitas melhorias de conversão vêm de pequenos ajustes:

  • Mudar a posição de uma informação.
  • Reescrever um texto confuso.
  • Destacar uma condição importante.
  • Simplificar uma etapa.
  • Remover distrações.
  • Melhorar a hierarquia visual.
  • Antecipar dúvidas frequentes.
  • Testar uma nova chamada para ação.

A vantagem de trabalhar com dados e experimentos é justamente evitar mudanças grandes baseadas em achismo.

Você identifica um problema, cria uma hipótese e testa uma solução.

O papel do teste A/B nesse processo

O teste A/B entra como uma forma de validar se a solução proposta realmente melhora o resultado.

Sem teste, uma mudança pode parecer boa visualmente, mas piorar a conversão. Também pode acontecer o contrário: uma alteração simples, que parecia pequena, pode gerar um impacto relevante na jornada.

Ao combinar Analytics, CES e teste A/B, você cria um ciclo mais seguro de melhoria:

Métrica aponta o problema.
Feedback explica o motivo.
Experimento valida a solução.

Esse processo reduz decisões baseadas em opinião e aumenta a chance de melhorar a experiência real do usuário.

Exemplos de problemas que o Analytics não mostra sozinho

O Google Analytics pode mostrar que uma página tem baixa conversão, mas dificilmente vai dizer que:

  • O usuário não entendeu o benefício do produto.
  • A informação mais importante estava abaixo da dobra.
  • A página gerou insegurança.
  • O texto do botão não estava claro.
  • O usuário achou difícil comparar opções.
  • A pessoa não encontrou a política de troca.
  • O frete apareceu tarde demais.
  • O formulário parecia longo.
  • A descrição do produto não respondeu uma dúvida essencial.

Esses são problemas de percepção, clareza e esforço.

Para encontrá-los, você precisa ouvir o usuário no momento certo.

Conclusão

O Google Analytics é indispensável para qualquer operação digital. Mas ele não deve ser a única fonte de verdade.

Ele mostra onde algo aconteceu. Mas, muitas vezes, você precisa de outras ferramentas para entender por que aquilo aconteceu.

Ao combinar dados quantitativos com pesquisas CES, feedback contextual e testes A/B, sua equipe consegue encontrar problemas invisíveis, criar hipóteses melhores e tomar decisões com menos achismo.

No fim, melhorar conversão não é apenas olhar para números. É entender o comportamento, a dificuldade e a percepção de quem está tentando comprar.

E quanto melhor você entende essa jornada, mais fácil fica criar experiências que realmente convertem.

Como descobrir problemas que o Google Analytics não mostra